8. jan, 2016

CADÊ O VELHO CHICO

 

 

O nosso rio São Francisco, o Velho Chico, como tantos outros, não tem recebido o devido carinho das autoridades. O alardeado rio, alvo de muita propaganda midiática, é de suma importância para combater a seca no Nordeste com sua transposição. O investimento inicial previsto para 4,2 bilhões de reais, foi consumido apenas num terço da obra, que segue a passos de tartaruga.  Há  por parte de alguns críticos a preocupação com o assoreamento do rio e preservação de sua mata ciliar para mantê-lo vivo e perene.

O mega projeto da transposição do Velho Chico, que nasce na Serra da Canastra, Minas Gerais, passa por mais  quatro estados: Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas, tem como objetivo atender 390 municípios com 12 milhões de pessoas. O rio possui  2,8 mil Km, e vem sendo canalizado. O orçamento previsto em contrato inicial de 4,2 bilhões dobrou para 8,2 bilhões de reais e mesmo após sua conclusão prevista para 2 anos,  ainda pouco provável se ocorrerá, teremos mais uma etapa: a construção da Estação de Tratamento D’água e Adutoras para distribuição à população.  Há também  preocupação dos brasileiros nordestinos, principalmente  engenheiros e ambientalistas, do rio perder fôlego e trazer sérias  consequências imprevisíveis, e a frustração da esperança de receber essa obra aguardada com muita expectativa pelos futuros consumidores do líquido precioso. Segundo os críticos do projeto, torna-se impossível a conclusão em 2 anos, considerando que apenas 100 metros são concluídos por mês, o que equivale a 16/17 anos para atingir a meta.

Engenheiros e ambientalistas discordam do projeto, porque não foi feito nenhum estudo aprofundado sobre os prejuízos ao meio  ambiente e suas consequências danosas, como também não terá esse alcance social prometido, porque a canalização não vai beneficiar as verdadeiras comunidades carentes  do semiárido. Há por parte dos estudiosos a preocupação  sobre vários aspectos como: a frustração, desperdício de tempo e dinheiro, a exemplo da Transamazônica. Quem assistiu ao Jornal Nacional do dia 07/01, ficou chocado com a grave situação do rio, na sua parte mais profunda não passou da cintura da repórter.

É sem dúvida uma preocupação que faz sentido e deve ser levada com seriedade pelas autoridades na  preservação da vida do rio São Francisco, dando a ele o tratamento  merecido, despoluindo sem esquecer das suas vertentes responsáveis por imenso espelho d’água. Mas convém ressaltar, a morosidade dos repasses às empresas para executar as obras e honrar compromissos dentro do prazo, o que não pode ser desconsiderado.

Outro ponto importante e real refere-se ao Aditamento, recursos extras para conclusão de obras, conforme dito acima, pela demora dos repasses. Até o final do empreendimento, o volume dos recursos triplica, sem falar no superfaturamento, uma prática bastante conhecida dos brasileiros nesses últimos anos.

O brasileiro verde-amarelo só pensa e quer o melhor para todos, sem bandeira partidária. Que as instituições sejam independentes e ajam com lisura, na forma da lei, no combate a subversão da Ordem e Progresso, orgulhosamente expressa na Bandeira Brasileira.

 

 

Agenor Boaventura dos Santos

Pedagogo/Pós-graduação em Docência Superior/Poeta.

 

 

aggenor@hotmail.com