7. nov, 2015

UM POUCO DA MADRE-DE-DEUS - Conto: Agenor Santos

 

 

Em 1945, começamos a observar e conhecer um pouco do bairro, com muitas Quitandas e Barracas, pequenos comércios. Mais tarde  surgiram os médios e grandes comerciantes, como os senhores Amorim, vulgo Titio, Alfredo, Carlos Mesquita e Joca. Todos estabelecidos no Largo da Madre Deus e adjacência. A nossa velha e saudosa  Madre-de-Deus era muito mais linda e saudável, com o aconchego familiar. As crianças, jovens e adultos abraçando e usufruindo da água e brisa do mar, principalmente da maré alta chamada de Maré de Lua Cheia, um verdadeiro espetáculo proporcionado pela natureza.

 

Uma extensa ponte de madeira avançava cortando o mar, permitindo a quem quisesse   contemplar aquele cenário que não volta mais, por conta do dito progresso. A Rampa do Zé Defunto, uma escadaria com mais de 100 degraus ia ao encontro  do mar, razão porque era bastante frequentada. Um marco histórico que os mais velhos gostam de recordar. O bairro era  basicamente de pescadores e tecelões com duas fábricas no seu entorno: Cânhamo e São Luiz, que empregavam milhares de operários. Mas a comunidade sempre foi focada em outras culturas. Havia uma brincadeira chamada “Chegança”, dentre seus componentes um Urso acorrentado, que despertava interesse das famílias para sua apresentação; os  músicos de azul e branco entoavam um ritmo agradável com batida de fundo de percussão cadenciada. Não sabemos a razão do seu desaparecimento, talvez possa surgir um entusiasta para resgatar essa interessante brincadeira.

 

Curiosamente, depois de muitos anos surgiu o “Bicho Terra”, com cadência de fundo parecida. Os festejos do Divino Espírito Santo, no famoso à época de Pau do Santo, que atraía milhares de pessoas de outros bairros. Para escrever sobre a Madre-de-Deus precisaríamos de muitos capítulos,  considerando suas riquezas do passado e do presente. Em rápidas pinceladas não poderíamos deixar de registrar nomes identificados com a comunidade como:  Tabaco, Braulino, Ofila, Bertoldo, Olegário, Guilherme boca de urna, Chagas, Zé Timbó, Cristóvão, Babaçu, Zé Madeira, Guará, Joca, Estrela, Agnorá, Elpídio,  Zé Igarapé, prof. Clóvis,  Nazaré parteira, Totó,  Mimico , Cláudio, barbeiro, do Caldeirão Quebrado, Canário,  Raimundo Almeida,  Sabujá,   Massa Bruta, Sururu, Zé Pitó, Belém,  Genésio,  Agostinho etc.

 

Suas tradicionais brincadeiras:  começaremos pelo Boi de Matraca e seu pioneiro Argentino, já falecido. As escolas de samba  Fuzileiros da Fuzarca,  Cruzeiro do Samba, extinto, Turma do Quinto, Boi Barrica, Bicho Terra e outras. A velha  comunidade de pescadores e tecelões deixou rebentos que trilharam outros caminhos. E se fossem vivos, estariam orgulhosos dos filhos advogados, engenheiros, jornalistas, escritores, professores, cronistas, poetas, músicos, militares e médicos.

 

Somos admiradores daqueles que lutam em busca do conhecimento para ocupar o seu merecido espaço. A todos os vencedores a nossa admiração e respeito pelo sucesso.

 

 

 

Agenor Boaventura dos Santos/Pedagogo/Pós-graduação em Docência Superior/Poeta.

aggenor@hotmail.com