18. out, 2015

O TEMPO ACABOU - Artigo: Agenor Santos

O tempo acabou, uma expressão ampla e significativa, exemplificando a nossa mocidade, de chegar, de esperar, de vigor físico, de mandar, de ser mandado, e de viver. Tudo tem seu tempo e devemos ter essa consciência. Não adianta insistir em resolver problemas que estão fora do nosso alcance, gerando desconforto, dissabores e desconfiança de melhores dias. Refletir sobre nossas ações é o primeiro passo de sensatez de avaliarmos se devemos ou não continuarmos no sacrifício e levarmos conosco por mais tempo ao sofrimento pessoas trabalhadoras e honestas.

 

O Brasil já experimentou várias crises de governança com ditaduras ou não, provocadas por inconformismo de adversários e má gestão, dando margem a decisões radicais para manter a ordem, e consequentemente interromper o sistema democrático. Há um certo temor dos brasileiros  com as consequências da já desgastada  Democracia sendo desrespeitada por maus brasileiros personalistas e corporativistas. A improbidade é galopante com o erário público a ponto de causar prejuízos imensuráveis.  Uma contradição quando se faz uma retrospectiva da história na era Vargas, como ditador a serviço da linha dura, mas deu a volta por cima com apoio da filha Alzira nas articulações políticas o que ensejou Getúlio a se candidatar e fazer uma campanha em 26 estados, levando um discurso escrito para cada realidade das regiões  principalmente o Norte e Nordeste, e pode sentir o drama  daquela gente sofrida e esquecida pelos governantes e prometeu se fosse eleito faria um governo voltado para os pobres. Getúlio sentiu na pele de tudo que viu na sua campanha, esqueceu a experiência de ditador e abraçou a Democracia.

 

A sua primeira iniciativa como presidente foi criar a CLT- Consolidação das Leis do Trabalho, com direitos e deveres dos trabalhadores e empregadores.  Em 28 de janeiro de 1954, concedeu aumento do Salário Mínimo, o que provocou uma reação das classes empresariais e dos políticos que orquestraram uma forte campanha pelo impeachment do governo,  como também a pressão dos militares pela renúncia. Getúlio se manteve firme e convicto de ter sido eleito legitimamente, com uma votação expressiva, por isso se recusava  a aceitar a renúncia, e por considerar que seria  uma traição ao povo brasileiro e a perda das conquistas trabalhistas. Getúlio acuado pelas pressões tomou uma decisão de morrer pelo Brasil em defesa  do  povo apelando para o suicídio, com um tiro no peito,  mas não traiu a Democracia e suas conquistas. Uma comoção nacional tomou conta do povo. Getúlio morreu para ficar na história e como pai dos pobres.

 

Refletindo  sobre esse e outros fatos históricos,  dos homens que deram suas vidas em amor a pátria, aonde quer que estejam pudessem retornar ficariam decepcionados com  as sujeiras impregnadas na máquina administrativa nesses últimos anos, e pior, não admitem responsabilidade pela crise. A persistência em continuar  no comando das decisões equivocadas e hesitantes só agravam  e paralisam o país. É preciso ter consciência que uma boa gestão depende de uma equipe com vasta experiência. Enquanto as indicações políticas não forem seletas, esquecendo o  tradicional argumento que existe uma equipe técnica de alto nível, e que o indicado só vai assinar papel, é além de um grande equívoco, é também um grande desrespeito aos servidores com Doutorado e até  PHD, a ser subordinado por analfabeto alheio a área específica. Não somos contra assinar papel. Todos assinamos. Mas é preciso mais seriedade.

 

O objetivo dessa observação é despertar aos gestores a necessidade de colocar a pessoa indicada com perfil certo, para o lugar certo. Para uma boa gestão é uma exigência indispensável e sem abrir mão da honestidade, competência, da moral e da ética, que infelizmente são requisitos raros . Sendo assim, O Tempo Acabou.

 

Agenor Boaventura dos Santos/Pós-graduação em Docência Superior/Poeta.

 

 

 

aggenor@hotmail.com